terça-feira, 10 de julho de 2012

(D)o Tempo - Ainda

Mudava, então, a conjugação dos verbos. Do tempo da possibilidade para o das coisas acontecidas. Havia muito de belo. E uma mesma medida de medo.

Só que o medo já não impedia a memória, já não paralisava a ação. Ao invés de intervalos, recuos, que eram ação também.

Levaram muito tempo até chegar ao presente, aonde, mutuamente, se ultrapassavam. Ela, que seguia manca de certezas (embora capaz de clareza e conclusão). Ele, saudoso delas (de certezas. De clareza. E de conclusão).

O beijo punha-os simultâneos. Coabitavam a boca. E, no entanto, estranhavam as falas. Cada um estrangeiro do outro. Eram tão parecidos quanto um ibo e um escocês. Isto é, fundamentalmente humanos. Desentendiam-se. Aprendiam-se. Aculturavam-se um do outro. A (des)semelhança é um caminho de lentas assimilações. Mesmo entre almas uma da outra tão gêmeas.

Sua linguagem era a das correspondências. O silêncio deles, o das reverberações. Replicavam-se infinitamente e, por isso, duravam. Duravam. Duravam. Avam. Vão.

22 comentários:

  1. Entreguei-me aos hiatos. Nem só de continuidades vive o homem. Vida longa aos intervalos(!?)

    Às vezes me ocorre se o silêncio não seria uma espécie de luto pelos encantos que se quebraram, pelos sorrisos que, de repente, pararam.

    Duelos de silêncios são sangrentos...

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    1. Qual o quê?!
      Faltam palavras diante de tantos silêncios...
      Absorvo!!!

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  2. E página à página iam inventando novos mistérios, numas de tapear a eternidade, delongando-se nessa missão eterna de nos sabermos mais e melhor, pertencendo sempre.

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  3. para uns 10 seg. depois já são coisas do passado...
    abraços

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  4. Um texto que gostei de ler...na perfeição!
    Beijo
    Graça

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  5. O mistério da pertença:)!
    Excelente.
    Bjo

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  8. Duravam... avam... vão...
    De tanto durar se vão as palavras e fica, então, apenas silêncio...

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  9. 14 vezes li sua palavra. 14 vezes ela se replicou em mim.
    Há de durar. Desde então e sempre.

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  10. Pousei os olhos no infinito como se quisesse encontrar alguma resposta ali deixada e nada.

    - Como escolher um só destino entre tantos?

    - Mendes Roberta deu de ombros...

    Recitei oração ao tempo, enquanto tocava seu rosto:

    "És um senhor tão bonito
    Quanto a cara do meu filho
    Tempo tempo tempo tempo
    Vou te fazer um pedido
    Tempo tempo tempo tempo...

    Compositor de destinos
    Tambor de todos os rítmos
    Tempo tempo tempo tempo
    Entro num acordo contigo
    Tempo tempo tempo tempo...

    Por seres tão inventivo
    E pareceres contínuo
    Tempo tempo tempo tempo
    És um dos deuses mais lindos
    Tempo tempo tempo tempo...

    Que sejas ainda mais vivo
    No som do meu estribilho
    Tempo tempo tempo tempo
    Ouve bem o que te digo
    Tempo tempo tempo tempo...

    Peço-te o prazer legítimo
    E o movimento preciso
    Tempo tempo tempo tempo
    Quando o tempo for propício
    Tempo tempo tempo tempo...

    De modo que o meu espírito
    Ganhe um brilho definido
    Tempo tempo tempo tempo
    E eu espalhe benefícios
    Tempo tempo tempo tempo...

    O que usaremos prá isso
    Fica guardado em sigilo
    Tempo tempo tempo tempo
    Apenas contigo e comigo
    Tempo tempo tempo tempo...

    E quando eu tiver saído
    Para fora do teu círculo
    Tempo tempo tempo tempo
    Não serei nem terás sido
    Tempo tempo tempo tempo...

    Ainda assim acredito
    Ser possível reunirmo-nos
    Tempo tempo tempo tempo
    Num outro nível de vínculo
    Tempo tempo tempo tempo...

    Portanto peço-te aquilo
    E te ofereço elogios
    Tempo tempo tempo tempo
    Nas rimas do meu estilo
    Tempo tempo tempo tempo..."



    Quarta é um bom dia para fazer serenatas.
    Escreva, escreva, escreva.
    Preciso saber notícias de mim, extensão escancarada de minha alma.

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  11. Olá , passei pela net encontrei o seu blog e o achei muito bom, li algumas coisas folhe-ei algumas postagens, gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns, e espero que continue se esforçando para sempre fazer o seu melhor, quando encontro bons blogs sempre fico mais um pouco meu nome é: António Batalha. Como sou um homem de Deus deixo-lhe a minha bênção. E que haja muita felicidade e saude em sua vida e em toda a sua casa.
    PS. Se desejar seguir o meu blog,Peregrino E Servo, fique á vontade, eu vou retribuir.

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  15. TROCA ILUSÓRIA

    Troquei um minuto por um segundo, o segundo passou num instante, o minuto demorou sessenta segundos num segundo. Feitas as contas, foi ilusória a troca.

    Dei destaque ;)

    http://diariodedetrasii.blogspot.pt/2012/10/canto-da-casa-marca-pessoal.html

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  16. Minha muito querida artista,

    Estive em sua casa enquanto você não estava e aproveitei para revirar a sua escrivaninha. Olhei para o seu tinteiro de caveirinha e entendi o que lhe falta para que voltes à vida escrita. Tinta. Logo, na falta de tinta, cortei os pulsos para encher este pequeno frasco e espero que use o sangue que escorre de meus braços mãos e dedos como tinteiro. E, se não se importa, troquei a pena. Aquela tava meio caída.



    Ass. Sua leitora e fã de carterinha de sapo e tudo, Pipa.

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    1. Apesar das imagens criadas serem um recurso poético, creio que em se tratando desta pássara, até isto poderia ser real.

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  17. Sua linguagem era a das correspondências. O silêncio deles, o das reverberações. Replicavam-se infinitamente e, por isso, duravam. Duravam. Duravam. Avam. Vão.

    Como agradeço à Lídia por ter-me apresentado a você!!!

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  18. Adorei o seu texto! Ele é misto de poeticidade e literariedade... Aproveito para desejar um feliz 2013 e que você desvende os dias misteriosos desde ano ímpar. Abraço fraterno, Jasanf.

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  19. É bom encontrar blogs como o seu, onde podemos aprender alguma coisa, dou-lhe os parabéns desejo muitas felicidades, que Deus vos abençõe.
    PS. Se desejar visite o Peregrino e servo, e se ainda não segue pode fazê-lo agora. Decerto vou retribuir seguido o seu blog também.
    António Batalha.

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