sexta-feira, 20 de abril de 2012

Bio

Para Ana Karina Bucciarelli
e  para mim, que preciso nascer de novo.


Estou juntando forças. Eu preciso chegar ao caroço da coisa e o caroço requer dureza. Eu preciso aprender a dureza do caroço. É o que guarda o D.N.A. da construção inteira e, portanto, pode reinventá-la a cada vez, da escuridão do chão.


Depois eu nasço. Nascer é' sempre tenro e, por isso, é tão desprotegido o gesto de nascer. Não é à toa que é quase uma expulsão. De bom grado ninguém sai do lugar protegido para o desamparo do seco. Mas é o ciclo e é tudo da Lei. Eu tive a árvore. E voltei ao caroço. Agora é a hora da dureza, do desaconchego (embora o caroço pareça aconchegar a si mesmo). 


Depois eu galho. Depois eu seiva. Depois eu altura, flores amarelas, estrutura frondosa de novo.

8 comentários:

  1. Agora eu amo. Depois também. Você. Pra sempre.

    ResponderExcluir
  2. Um texto repleto de sentimento e inspiração.Beijos

    ResponderExcluir
  3. "MAGNIFICAT"

    Minha vez de exibir aquele distintivo de cão lambancento que outrora me deram. Entre outras coisas, este distintivo me dá poderes expressos para farejar-lhe os dedos. É por uma questão territorial, minha cara. Ou, se desejar, traduzindo neste idioma particular que você sempre fala - de: "afeto construído pelas palavras." Trate de abrir a palma da mão. Vamos, estou sentindo um fedor de mistério e minha curiosidade está se coçando para descobrir o que está escondendo.

    Era o que eu suspeitava: uma proveta de amendoeiras.

    Mas é outono. A estação que antecede as quedas. Deixe-me andar pelas ruas de seu outonado coração e contemplar com a merecida calma, este tapete de folhas amareladas que agora se forma. Este aí, que sua alma gentilmente estende, para o encanto de quem passa.

    E que bonito é já saber onde se quer estar: "Depois eu galho. Depois eu seiva. Depois eu altura, flores amarelas, estrutura frondosa de novo." Mais bonito ainda, é poder ter quem, nesta astúcia de caroço, possa manusear o termômetro para medir a temperatura desse nosso desejo febril de crescimento. E você sabe, até estes frutos medrarem, a palavra de ordem é: deserto.

    Aos que testemunharão a germinação destes grãos chamo-os de: felizes. Tenho apenas esta cabaça de água. Ainda há um par de léguas para matar, até que meus calejados pés cheguem à beira daquela estrada. Mas não me importo de usá-la para matar as suas, as nossas - sede de enraizar a palavra.

    Minhas sinceras provetas de amendoeiras. A semente deste fruto é seca. E lhes sorrio oleosa. Por saber que, deste caroço, temos sido a essência.

    Mendes Roberta, vou lhe dar uma pequena advertência:

    Pelo amor que tenho a nossa amizade... Francamente, sua lucidez está chegando a limites intoleráveis. (rs)

    Agora me despeço. Com um aceno de raíz, pela promessa de rebento.

    ResponderExcluir
  4. Amiga, daqui tento galhar o mais longe que posso para tentar amenizar a dureza da chuva, do vento e da vida que se impõe, empurrando a semente para crescer.

    Te amo. Conta comigo sempre!

    ResponderExcluir
  5. Depois eu invento um caminho para a abóbada celeste.

    ResponderExcluir
  6. Caroço é a semente. É lá, no dentro, onde tudo acontece. Onde tudo se prepara para ser. Florescer, crescer, e ser árvore frondosa é só uma consequência disso.

    Sabe, Roberta, não deve ser fácil reconstruir, mas saber a semente, desperta em mim, aquela sensação confortável da permanência. Posso e devo reduzir-me à origem, mas sei que serei, sempre, ainda que recomece tudo outra vez incontáveis vezes... Eu já deixei de contabilizar recomeços. Cansei. Agora só penso em não deixar de ser.

    Beijos com saudades

    ResponderExcluir
  7. Depois, tu primavera.
    A seiva alimentadora das pétalas, com uma indescritível leveza.

    Foi bom passar por aqui, teu poema tem uma consequência inspiradora.
    Saudações e um bom fim de semana.

    ResponderExcluir
  8. Eu volto sempre. Leio muitas vezes. Porque em todas elas, tuas palavras me provocam, e sinto a minha temperatura interior oscilar em razão da tua desprotegida verdade.

    ResponderExcluir