quinta-feira, 5 de agosto de 2010

D'Ajuda


Exposta ao raio de sol, recuperava, pouco a pouco, os níveis do plexo. A praia inteira encoberta de nuvens. Só eu ungida de luz e manhã. Meus olhos, duas contas rebrilhando entre grãos menores, naturais entre sedimentos.

O mar se deslocava sob meu nariz. Inalei seu movimento o mais fundo que pude e, depois, vazante, soltei o ar com ruído pela esquadria dos dentes. As velas dos cabelos armaram-se à minha respiração, prontificando-se.

Minha cabeça derivava lentamente, de um lado a outro, buscando a margem de meus ombros, que se alongaram em acolhimento e socorro.

Entrelacei as mãos invertidas, palma com palma, fazendo contato. E as ergui acima da cabeça antenas. Meus pés abriram sulcos macios na areia. Condutores deitando a sobrecarga à terra. Não que eu ambicionasse o estado eletricamente neutro. Apenas um vôo mais organizado de partículas. Voltar à órbita, ao eixo. Centrar-me. Descentralizar o controle no caos. Re-alinhar as fibras dos músculos, espreguiçando.

O vento me soprava aos ouvidos:
Deixa...? Deixa...?

Afastei as pernas, aquiescendo ao raro desfrute de ter o corpo à disposição às três horas da tarde. E não era sonho. Eram as férias.

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