domingo, 22 de novembro de 2009

Âmbar

Eu sei: faz tempo que me recuso a ser. A seiva grossa, adensada pelo acúmulo, busca com dificuldade caminho para fora. A palavra arrancada a cortes, exudando. 

Da resignação à resina: não verto nem verso, nada. Ambiguidade com que me privo de voz 
sempre que em mim há grito. Silêncio! Impõe-se-me a trava de um dedo sobre a súplica dos lábios. 

Cristalizada em fóssil a intenção de vôo. Devolve-me o espelho os castanhos olhos com o besouro, antes inquieto, aprisionado dentro: da inquietude restou-lhe só o vazio ornamento.

4 comentários:

  1. Que alívio te ver assim em movimento, mesmo que seja, por enquanto só a anteninha :O)

    Como diria o sambista: "Deixa caaaaiiiiiir!"

    Beijos Linda!
    Elis Barbosa

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  2. Minha vontade era escrever uma ode ao Chagall, só pelo bem que ele me fez te trazendo de volta ao teu espaço. Você, que é a minha referência maior, tanto nas letras como na vida.

    O céu acaba de se abrir, em âmbar!

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  3. Ah, reapareceu! E com um texto que confesso me surpreesnder na forma, mas que faz sentido (digo, ao menos para mim, que vejo aqui de fora e sei muito pouco ou quase nada).
    Cheguei a pensar em questionar a ausência, mas faz-se, então, mais interessante laurear a volta =)
    Bjs

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